Que o ser humano não vive sem paixão, isso eu não tenho a menor dúvida, viver no sentido amplo da palavra. A paixão nos impulsiona, nos tira do lugar comum, nos dá um brilho diferente ao olhar. Sei que existem paixões que jamais se acabam, por exemplo: minha paixão pela escrita, pela arte, pelos filhos e assim por diante. Só que às vezes vivemos ignorando nossas paixões, a ponto de nos sentirmos mortos, só procurando estes sentimentos dentro de nós é que acordamos para a vida. Mas gostaria de enforcar a paixão entre pessoas, a que nos envolve e nos alucina quando menos esperamos. A sociedade quer aprisionar o ser e a partir daí a promessa de fidelidade eterna. Como se pode ter garantia da não paixão. A química do cérebro pede para que o coração enlouqueça? Como dominar este sentimento que se apodera da alma, se apodera do corpo, fazendo com que as pessoas até mudem de planeta. Temos a necessidade da renovação de sentimentos para nos mantermos vivos? Até quando é saudável a repressão? Até que a morte nos separe, ou até que o cérebro resolva jogar a química para o corpo para que as células fiquem latentes. De repente o ar muda, a cabeça fica zonza, pula-se obstáculo, cerca, corda, a alegria é absurda, perde-se o tino e é hora de sonhar, é hora de viver, é hora de se entregar. Não, quase sempre nos negamos esse direito, as mulheres são as mais castradas, enquanto que os homens parecem poder tudo, porque a paixão está ligada também ao sexo. Afinal, precisam preservar a espécie, são os machos... E a sexualidade das mulheres? Elas são realmente diferentes ou disfarçam os sentimentos? Disfarçam sentimentos... A mulher tem contas a pagar apenas com a evolução de sua alma, de sua existência, de sua responsabilidade humana perante a vida. A paixão gera sofrimentos e às vezes a dor alucina. Como evitar a dor da paixão? Não se apaixonando? E é possível não se apaixonar? Como evitar a dor? Não, não é possível não se apaixonar...
Solange Rossignoli 06.10.2009
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