Passo defronte à escrivaninha. Papel e lápis me aguardam. Sigo apressado. Outras responsabilidades me tomam o tempo.
Volto. Lá estão eles. Convidam-me à labuta. Paro. Penso. Sigo.
O que fazer?
Por diversas vezes tentei retomar meus escritos, mas existe um vazio em minha mente.
Ou não?
Parece que tenho tantas coisas para escrever e, ao tentarem sair de minha cabeça, todas ao mesmo tempo, encavalam-se com os tipos de uma máquina de escrever, datilografados simultaneamente.
O tempo urge. É necessário voltar a escrever.
Sento e, tomado de inspiração, começo. Estou de volta às palavras. Não sei se sentiram tantas saudades de mim quanto eu delas. Substantivos. Adjetivos. Pontos e virgulas. Concordância Nominal. Concordância Verbal. Grafar corretamente. Palavras. Palavras.
Estou em pane. Parece tão simples e fácil.
Há clareza em que escrevo?
Acho que abuso de eufemismos.
Não. Amasso o papel. O que pretendia mesmo contar? Que história esdrúxula. Inverossímil. É atemporal.
Meus leitores merecem algo melhor.
Animais, números, cores, sabores, odores.
Não. Não. Isso já foi contado milhares de vezes. Ou foram milhões.
Um lugar distante. Bem pra lá de Passargada. Sem reis e plebeus. O que acontece? Não sei. As palavras não me vem.
Outro lugar. A Lua. Isso: estou no mundo da lua.
Palavras. Palavras. Quero contar o que sinto. Talvez se relatasse meu último sonho. Aquele que esqueci ao contemplar a beleza dos primeiros raios de Sol.
Meu passeio de final de tarde. Ontem. A ida ao café. As pessoas que encontrei. Não. Alguém já falou disso. Acho que fui eu mesmo. Outro dia. Lembra-se. Era começo de noite e vocês aí parados.
Papel e lápis. Assim.
Quem sabe sonhei tudo isso.
Escrever é tão fácil. Basta pegar o lápis e fazê-lo deslizar pelo branco do papel. Cá estou eu. Nada.
Um crime passional. Isto. Somos todos movidos pela paixão. Posso descrever a bela jovem. O gracejo de seu sorriso e a provocação de seu olhar já seriam o motivo. A arma? Um papel e lápis. Ali parados. Convidando-me. Como o jovem cavalheiro que atravessa o salão para tirar a dama para dançar.
Não. Escrever é difícil. É necessário zelo. As palavras machucam. São afiadas como o bisturi que desliza com seu corte preciso.
Eu quero emoção com minhas palavras. Quero risos e lágrimas. Quero o amor da minha amada e o respeito do meu inimigo.
Elas devem sair tracejante como uma chuva de meteoritos e brilhantes como a aurora boreal.
Palavras. Palavras.
Escrever é apenas. Em papel. Com lápis, caneta ou bico de pena. Trazer em palavras a emoção não presente em mil imagens.
Sidnei Reinaldo dos Santos
Volto. Lá estão eles. Convidam-me à labuta. Paro. Penso. Sigo.
O que fazer?
Por diversas vezes tentei retomar meus escritos, mas existe um vazio em minha mente.
Ou não?
Parece que tenho tantas coisas para escrever e, ao tentarem sair de minha cabeça, todas ao mesmo tempo, encavalam-se com os tipos de uma máquina de escrever, datilografados simultaneamente.
O tempo urge. É necessário voltar a escrever.
Sento e, tomado de inspiração, começo. Estou de volta às palavras. Não sei se sentiram tantas saudades de mim quanto eu delas. Substantivos. Adjetivos. Pontos e virgulas. Concordância Nominal. Concordância Verbal. Grafar corretamente. Palavras. Palavras.
Estou em pane. Parece tão simples e fácil.
Há clareza em que escrevo?
Acho que abuso de eufemismos.
Não. Amasso o papel. O que pretendia mesmo contar? Que história esdrúxula. Inverossímil. É atemporal.
Meus leitores merecem algo melhor.
Animais, números, cores, sabores, odores.
Não. Não. Isso já foi contado milhares de vezes. Ou foram milhões.
Um lugar distante. Bem pra lá de Passargada. Sem reis e plebeus. O que acontece? Não sei. As palavras não me vem.
Outro lugar. A Lua. Isso: estou no mundo da lua.
Palavras. Palavras. Quero contar o que sinto. Talvez se relatasse meu último sonho. Aquele que esqueci ao contemplar a beleza dos primeiros raios de Sol.
Meu passeio de final de tarde. Ontem. A ida ao café. As pessoas que encontrei. Não. Alguém já falou disso. Acho que fui eu mesmo. Outro dia. Lembra-se. Era começo de noite e vocês aí parados.
Papel e lápis. Assim.
Quem sabe sonhei tudo isso.
Escrever é tão fácil. Basta pegar o lápis e fazê-lo deslizar pelo branco do papel. Cá estou eu. Nada.
Um crime passional. Isto. Somos todos movidos pela paixão. Posso descrever a bela jovem. O gracejo de seu sorriso e a provocação de seu olhar já seriam o motivo. A arma? Um papel e lápis. Ali parados. Convidando-me. Como o jovem cavalheiro que atravessa o salão para tirar a dama para dançar.
Não. Escrever é difícil. É necessário zelo. As palavras machucam. São afiadas como o bisturi que desliza com seu corte preciso.
Eu quero emoção com minhas palavras. Quero risos e lágrimas. Quero o amor da minha amada e o respeito do meu inimigo.
Elas devem sair tracejante como uma chuva de meteoritos e brilhantes como a aurora boreal.
Palavras. Palavras.
Escrever é apenas. Em papel. Com lápis, caneta ou bico de pena. Trazer em palavras a emoção não presente em mil imagens.
Sidnei Reinaldo dos Santos
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