quanto a mim, escrevo pela urgente necessidade que tenho de dialogar comigo mesma...
começa com um pensamento latejante concebido aparentemente involuntário no meu espírito, construído pelas impressões com as quais a vida me afetou. este pensamento será ruminado desencadeando outros e outros, a combinação das palavras obedecerá um ritmo que vibra dentro do entendimento, uma sonoridade exigida, necessária, pulsação que condena-me ao seu esgotamento, no que vou escavando, descendo camadas, até que a ânsia primeira seja por inteira despejada no papel, como um parto, uma lágrima, um grito, um espasmo e quando já exausta pareço consumida nela, alcanço ter percorrido todo o caminho e meu trabalho se completou.
chega a vez de abandonar como que arrancando o texto de mim, permitindo que ele assuma existência para além de mim, as vezes são dias, as vezes semanas, e após idas e vindas, finalmente e não sem a sensação do inacabamento, me desprendo e fecho a porta e parto.
Kelly Guimarães
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