quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Abram as janelas que eu vou mostrar meu texto


Muita gente entendida diz que para escrever é só começar a escrever. Escrever o que vier na cabeça sem se preocupar com estilo, depois é só trabalhar o material, consultar dicionários, rearranjar as frases para que fiquem mais bonitas, ter coerência, coesão essas coisas... pode ser que você não vire um escritor prêmio Nobel, mas pelo menos aprenderá colocar suas idéias no papel. Tá bom, eu ponho minhas idéias no papel, mas e depois, aonde arrumar a bendita coragem para mostrar o maldito texto para alguém?

Quando eu escrevo algo, seja poesia, prosa ou qualquer coisa que me vier na cabeça, geralmente é algo bem “promíscuo”, como diz um escritor fulano de tal que eu não lembro o nome agora. Mas, essa promiscuidade que é o que eu mais gosto, a princípio acho-a ridícula, depois de um tempo acho-a linda e digna de ser editada para logo depois achar um lixo e na maioria das vezes é pra lá que essa obra intestinal vai. Falo assim, por que algumas coisas saem da mente, outras do coração e outras do intestino. As obras da mente instruem e às vezes até divertem, e vice versa. As do coração emocionam e às vezes acrescentam alguma coisa nem que seja momentaneamente. Quem não fez juras a si mesmo depois de ler um livro que o fez chorar, mas logo em seguida voltou a ser o mesmo desumano que sempre foi e que somos todos. As do intestino, são aquelas merdas que poderiam ter ido pro esgoto e que ficam poluindo as prateleiras de livrarias e as mentes de quem ousa comprá-las e o pior, lê-las. Depois ficam rezando tais imundícies nos ouvidos de ingênuos e verdes leitores, que acabam seduzidos por esses peidos materializados em letras.

Escrever sobre escrever vira algo chato de ler. Portanto, abram as janelas...


Mari Vieira

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